Aprenda a ler os rótulos dos alimentos

Compreender as informações dos rótulos dos alimentos é essencial para não levar gato por lebre na hora de comprar. A gente fica achando que está se alimentando bem, comendo uma comida mais natural e na verdade está comendo mesmo muito açúcar, sódio, gordura saturada…

Consciência é tudo!

Tem um post muito esclarecedor sobre isso lá no Comer para Crescer: As novas mentiras escondidas nos rótulos dos alimentos.

O site The Daily Green publicou uma matéria sensacional sobre os rótulos dos alimentos e o marketing por trás deles, que nos fazem comprar errado – ou se iludir com a comida. Fiz aqui um resumo/adaptação dos nove itens citados por eles para melhorar a qualidade das nossas compras – e fazê-las sem ilusões…

Alimentos integrais

Cuidado com produtos que possuem apenas um mínimo de cereais inteiros (não refinados) para ganhar o nome de Integral. Alguns realmente não são feitos apenas com eles, como é o caso do pão, que precisa da farinha integral e da farinha refinada em sua composição (mas que mesmo assim vale mais a pena do que a versão tradicional, já que possui mais fibras). Procure os ingredientes no rótulo do produto. A ordem em que eles são colocados é importante: o primeiro ingrediente é o que aparece em maior quantidade na receita, o segundo aparece um pouco menos… Então, se os cereais integrais estiverem entre os últimos ingredientes, desconfie e troque de marca.

Ingredientes

A ordem em que eles aparecem, como escrevi acima, ajuda a desvendar as quantidades. Ainda assim, atenção. A farinha enriquecida pode ser o primeiro ingrediente de um bolo– o que significaria que ela é o principal na receita. Aí você nota que no resto da lista tem frutose, xarope de milho, melado, maltodextrina, dextrose… todos nomes diferentes para a mesma coisa: açúcar! Somando tudo, descobre que o açúcar, no fim das contas, é o principal ingrediente.

Porções

Quem faz dieta já se acostumou com isso: para saber as calorias de um alimento, você vai na tabela de “informações nutricionais” que mostra as quantidades dela e dos nutrientes em uma determinada porção do alimento. O problema está justamente no tamanho dessa porção. E nos números que enganam o nosso cérebro. Exemplo: a pipoca de microondas natural da Yoki possui 99 kilocalorias, 13 gramas de carboidratos, 4,5 gramas de gorduras – quantidades bem aceitáveis – em 25 gramas do produto, o equivalente a mais ou menos uma xícara de pipoca. Agora, quem come apenas uma xícara de pipoca? Para se ter uma ideia, o pacote inteiro (que uma pessoa sozinha come facilmente), tem 100 gramas. Então, multiplique todos aqueles números lá de cima por 4 e você vai entender o que eu quis dizer com “enganar o cérebro”…

Omega 3
Ele é um ácido graxo poliinsaturado que ajuda na saúde do coração e no desenvolvimento do sistema nervoso das crianças. Mas não se esqueça: um ovo enriquecido com Omega 3 continua sendo um ovo com colesterol. Não abuse de um alimento apenas porque ele tem um ingrediente considerado saudável.

Fruta de verdade

Você vê aquelas embalagens com fotos de frutas fresquinhas, ainda molhadas, quase dá para sentir o cheiro. Lê na caixa que é um produto natural e pronto, seu cérebro (ele de novo!) começa a achar que aquilo é o máximo, quase um produto da fazenda que acabou de chegar para sua mesa. Máximo é o ótimo fotógrafo que fez a foto e a agência de publicidade que bolou o resto. Se você prestar atenção ao rótulo, vai ver que além da tal fruta de verdade, superhiper concentrada (e dá-lhe frutose), também terá aroma artificial da tal fruta, corante artificial para dar mais cor, e um monte de açúcar. Então, se quiser fruta de verdade, coma fruta. E se quiser açúcar, coma doce. Mas não se iluda.

Gordura Trans

São vários os produtos que apresentam o selinho “livre de gordura Trans”. Ótimo. Mas continue olhando para os outros ingredientes e nutrientes. Segundo o artigo do The Daily Green, muitos fabricantes simplesmente passaram a chamar a gordura trans de gordura saturada.

Free Range Eggs

Seria o equivalente ao nosso ovo caipira, botado por uma galinha livre, que vive ao sol, indo e vindo conforme sua vontade, e que por isso mesmo daria ao mundo ovos mais naturais e gostosos. O problema é que nem sempre a palavra caipira no rótulo significa uma galinha livre. Ás vezes a coitadinha só tem direito a algumas horas de sol, talvez minutos, nunca dá para saber quanto…

Fibras
São muitos os produtos que dizem conter fibras hoje em dia. Mas o que eles realmente possuem são fibras “pós purificadas”, chamadas inulina, polidextrose e maltodextrina. E, até agora, essas fibras artificiais não parecem ajudar a reduzir o colesterol do sangue ou ter outros benefícios que as fibras naturais têm.Se quiser fibras, coma frutas, legumes, cereais integrais.

Comida não é remédio

Um produto não pode ter em sua embalagem a frase “ajuda a reduzir o risco de doença cardíaca” mas pode ter “ajuda a manter um coração saudável”. O que engana novamente o cérebro das pessoas que acreditam que comer aquele alimento pode curá-las de qualquer coisa. Comida é comida, remédio é remédio.

Como desenvolver o prazer de ler

Ler é uma obrigação ou um prazer? Você já se perguntou se realmente está contribuindo para que a leitura se torne um hábito para o se filho?

Ler antes de dormir ou de alguma maneira ritualizar um momento de leitura, com dia marcado, toda semana (lendo juntos um livro ou cada um lendo o seu) são maneiras que encontramos de criar e manter o interesse dos pequenos nos livros.

Para reflexão segue abaixo um texto muito interessante da Rosely Sayão sobre esse assunto (Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo de 6/11/2012).

Leitura nos olhos dos outros

Se ler é bom, por que nós, adultos, lemos tão pouco? No Brasil, a média por pessoa é de só um livro por ano

Recentemente foi comemorado o Dia Nacional do Livro. A data lembrou a importância da leitura na vida das crianças e de todos nós.

Esse é um bom motivo para refletirmos sobre a contribuição que o mundo adulto dá para que os mais novos tenham a chance de desenvolver o gosto pela leitura.

Primeiramente, é bom reconhecer que temos uma posição bastante moralista a esse respeito. Famílias e escolas repetem à exaustão que ler é uma coisa boa.

Desde os primeiros anos escolares até o último ano do ensino básico, a lista de livros obrigatórios é enorme.

Mas será que ler é mesmo bom? Se é, por que temos de repetir tanto essa recomendação e nem assim conseguimos resultados?

Talvez porque obrigação não combine com prazer e ler deveria ser uma questão de prazer. Muita gente se preocupa em desenvolver o hábito da leitura. Prova disso é que nossas crianças ficam com a agenda abarrotada de coisas para ler.

Entretanto, hábito é coisa bem diferente de vontade. Em relação à leitura, o que podemos fazer é plantar nos mais novos a vontade de ler, mostrando as emoções que essa experiência proporciona.

A segunda questão que temos é a seguinte: se ler é tão bom assim, por que é que nós, os adultos, lemos tão pouco? Pesquisas mostram que o índice de leitura espontânea no Brasil é de pouco mais de um livro por ano! Muito pouco, quase nada, na verdade.

Isso significa que, depois que o jovem sai da escola, ele simplesmente deixa de ler.

O que podemos fazer para que os jovens encontrem seu próprio caminho no mundo dos livros? Para que desenvolvam um gosto verdadeiro pela leitura?

Os pais podem, por exemplo, ler e contar histórias para os filhos pequenos. Muitas famílias já cultivam o momento da história, lendo para os filhos de até seis anos antes de a criança se recolher. A questão é que eles não sabem como seguir com esse ritual depois que a criança cresce.

A partir dos sete, oito anos, muitas famílias se rendem aos outros interesses que a criança passa a ter: programas de televisão, internet, videogames, jogos de computador etc.

Entretanto, ouvir e contar histórias para os filhos é um hábito que poderia seguir até o fim da infância como um grande incentivador não apenas do gosto pela leitura, mas também como um elemento intensificador das relações familiares.

Depois que a criança ganha fluidez, é hora de pedir para que ela também leia para os pais. Mostrar interesse pelos livros que ela escolhe, ouvir com atenção as histórias que a criança conta sobre sua própria vida e ler ao seu lado são excelentes maneiras de estimular a atividade leitora dos mais novos.

As bibliotecas também poderiam funcionar como locais de incentivo do gosto pela literatura. Para isso, precisariam ser fisicamente mais atraentes, com livros e atividades interessantes. As famílias poderiam incluir a ida à biblioteca como um programa familiar, não é verdade?

Ler sempre -mesmo que por pouco tempo-, comentar sobre os livros que estão lendo e incluir alguns exemplares na bagagem das férias são atitudes que os pais podem adotar para mostrar aos filhos, na prática, que ler é bom de verdade.

E as escolas? Essas têm um enorme potencial para desenvolver com seus alunos o interesse pela leitura. A maioria tem optado pelos caminhos mais fáceis e menos produtivos: responsabilizar as famílias por isso e obrigar os alunos a ler. Poucas são as escolas particulares que têm uma biblioteca atraente.

Aliás, aí está uma boa questão para os pais que procuram escolas para os filhos: visitar a biblioteca escolar e saber como ela é usada por alunos e professores.

E, por falar em professor, quantos deles demonstram aos alunos que têm paixão pela literatura?

Se ler é mesmo bom, vamos provar isso aos mais novos.

Você também pode ler o texto aqui.

Nossos pequenos cientistas

O Estadão publicou hoje uma matéria sobre a forma e a capacidade que as crianças têm de pensar como cientistas. O texto está inspirado pela publicação de uma pesquisa na revista Science, que avaliou os mecanismos de pensar dos pequenos.

reprodução Estadão – NIlson Fukuda (AE)

As crianças, mais do que os adultos, são capazes de propor teorias incomuns para resolver problemas. “Esse tipo de pensamento hipotético reflete sobre o que poderia acontecer, e não sobre o que realmente aconteceu. E esse é um tipo de pensamento muito poderoso que usamos na ciência”, diz Alison (Alison Gopnik, do Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia em Berkeley, que realizou a pesquisa). Ela completa que a própria brincadeira de faz de conta, aquela atividade espontânea em que as crianças costumam se engajar, é “uma reflexão sobre esse raciocínio e compreensão profundos”.’

A primeira infância é realmente incrível!

 

Memórias: quais são as que temos e quais queremos que fiquem pros nossos filhos?

A neurociência tem nos estimulado a pensar muito sobre quem somos e sobre as memórias que nos fazer ser quem somos. O que você lembra da sua infância? O que foi marcante pra você ser quem você é hoje? E quais dessas memórias te ajudam a tomar decisões? Eu compreendo que muitas coisas que vivi influenciam muito nas decisões que tenho tomado na vida e principalmente nos valores em que acredito. Minhas muitas férias na praia com a família toda tornaram meus primos meus irmãos. Os almoços que adorávamos fazer no domingo em um restaurante  com meus pais e meu irmão (e desde aquela época eu já gostava de pedir sempre o mesmo prato) eram um momento de memória da minha família. A vasilha cheia de frutas depois de cada jantar que meu pai trazia pra gente mantém a fruteira sempre cheia aqui em casa até hoje (sinal de saúde!).

Tenho certeza que você também tem muitas memórias maravilhosas. Mas o que será que ficará pros nossos filhos?

Se hoje temos tanta consciência da relevância da memória pra ser quem somos, que memória estamos contruindo com nossos filhos?

Vamos começar a compartilhar aqui no blog mais algumas reflexões e ideias que tivemos sobre isso.

Pra começar, um artigo da Suzana Herculano-Houzel que eu adoro e fala uma coisa muito importante: “nem todas as memórias permanecem; as que não são revisitadas com frequência aos poucos vão se perdendo, cedendo lugar a outras, talvez.O registro externo é uma ajudinha para, daqui a uns anos, eu lembrar melhor e com mais detalhes dos eventos que me levaram até ali.”

Nós somos, afinal, o somatório não só desses eventos, mas também do registro que deles fica no cérebro, acessível à recordação consciente.

Mais sobre alimentação

Acabei de conhecer um site muito legal sobre alimentação infantil, o Comer para Crescer. Tem de tudo lá, desde de cardápios, receitas, até reflexões sobre alimentação, o papel do pais, etc. Vale a pena uma visitinha! Difícil vai ser ficar pouco tempo por lá, pois um post puxa outro…  😉

Abaixo um post sobre o paladar infantil:

O paladar infantil

Compartilho alguns fatos que descobri sobre o paladar infantil, depois de muitas matérias feitas e editadas. Tudo para ajudar a gente na mesa!

* As preferências e rejeições começam a aparecer por volta dos 2 anos. Até lá o seu papel é o de apresentar, o máximo de alimentos possíveis. Quanto maior a variedade mais chance do seu filho ser mais flexível na mesa
* A criança nasce com certa predisposição para gostar de alguns alimentos e não de outros. Mas os hábitos dos adultos da casa, a cultura de onde ela mora e dos lugares que freqüenta influenciam muito.
*Acredite: se em casa a criança costuma tomar sucos de frutas, ela tende a rejeitar refrigerantes nas festinhas. Eu vejo isso acontecer constantemente com a Isabella. O mesmo ocorre com outros alimentos. O paladar vai se acostumar com comidas saudáveis.
* Mas lembre-se que é você quem constrói os hábitos. Por isso sempre digo que ter filhos é a melhor forma de faze reeducação alimentar. Criança é uma ótima desculpa para a gente comer melhor
* Não adianta querer que seu filho coma frutas, legumes e verduras se isso não faz parte do seu prato – ou pelo menos do seu (sua) companheiro (a). De novo: os hábitos da casa é que formam a criança
* O paladar muda conforme a idade. Por isso hoje você gosta de alimentos que não ligava antes – e não entende como podia gostar de certas coisas na sua infância. Seu filho não vai gostar de shiitake e queijo brie aos 4 anos. Já quando for adulto…
* Para a criança gostar da comida ela precisa ter um contexto positivo. Ajudar na preparação, bom humor na mesa, uma prato bonito e colorido, e adultos que apreciam comer fazem uma super diferença.
* Não adianta fazer um prato nutritivo se a criança não sentir prazer. Ninguém come apenas por obrigação. Os verdes, por exemplo. Ela precisa ver que os pais sentem prazer em comê-los, assim vai associar brócolis a algo gostoso. Daí ser tão fácil gostar de chocolate. Já viu sua cara no espelho quando morde um?

Clicando aqui você lê o post completo, com link para duas reportagens que falam sobre o assunto.