A difícil tarefa de usar bem o dinheiro

moedinhasA gente pode ajudar nossos pequenos a ter uma boa relação com o dinheiro. Porque quando a gente pensa em dinheiro + criança a gente pensa em?? cofrinho! Pois é, mas dinheiro não é só pra guardar. Dinheiro pode ser (bem) usado e pra isso a gente precisa aprender a ter controle (ok, isso vale super pros adultos também!). 

Minha primeira experiência de dinheiro com meu filho foi o cofrinho. Contei essa experiência em “As economias do pequeno pra conquistar seu brinquedo”.  Mas de novo surgiu a conversa sobre dinheiro e caiu uma baita ficha: dinheiro não é só para guardar. A gente tem que poder usar também. E o que a gente ‘ensina’ se toda moeda que ela ganha é pra guardar?

Então começamos uma prática nova. Todo sábado entregamos 4 moedas pro Vicente usar (4 porque é a idade dele, é só adaptar). Fizemos uma mesa pra ajustar algumas coisas:

  • O cofre continua existindo, mas ele precisa ter uma meta (alcançável pra uma criança) porque guardar dinheiro tem que ter um sentido; o guardar por guardar não ensina muito
  • O cofre é para algum ‘uso’ especial do dinheiro e ele é aberto quando a criança tem o dinheiro suficiente praquilo que ela estipulou como meta
  • Todas as moedas que ele ganhar dos avós, dos tios e tal ele decidiu colocar no cofre (achamos que ele já tem autonomia pra isso)
  • As moedinhas do sábado são pra ele usar durante a semana, com as coisas que ele deseja (revistinha, sorvete, carrinho)
  • Elas ficam num saquinho ou numa carteirinha diferente do cofre –  no nosso caso, um moedeiro do Projeto Tamar
  • E ele combinou que se sobrar ele pode por no cofre ou juntar com as da próxima semana pra conquistar o que ele pretende e não cabe nos R$4,00

Primeiro que isso deu uma dimensão nova do dinheiro. Ele percebeu o que é caro e o que é barato, ali, no contexto dele.(‘É melhor comprar kinderovo no supermercado do que na padaria porque cabe no dindin da semana’ ou  ‘tem revistinha de dois preços’). E a primeira compra foi: uma pasta de dentes dos transformers. Eu tive que me controlar porque ‘pasta de dente a mamãe compra’ – mas ele queria sentir a sensação de usar seu próprio dinheiro. Ok, me recolhi e deixei ele decidir, afinal era pra ele poder decidir que a gente tinha dado o dinheiro (heheh). E outro aprendizado super importante: eu gasto o que eu tenho. Nesse mundo louco de (ilusão de) crédito fácil acho que essa será uma lição importante.

O Vicente também ficou mais curioso pelo cofre. Toda semana contamos com ele quanto dinheiro tem no cofre e ele passou a ter o ‘controle’ disso (controle = conhecimento). Como diz a Gladys, nossa mediadora, ele passou a ter uma ideia financeira.

Importante: usamos moedas de R$1,00 porque nessa idade as crianças ainda estão construindo a relação número-quantidade e isso ajuda o entendimento deles.

E NADA de assaltar o cofre ou o moedeiro dos filhos de vez em quando!! Mesmo que eles concordem, eles não entendem bem isso de tira, repõe, não-repõe. E o que a gente ‘conta’ pra eles e que nossa vida financeira não está organizada.

:o)

Como desenvolver o prazer de ler

Ler é uma obrigação ou um prazer? Você já se perguntou se realmente está contribuindo para que a leitura se torne um hábito para o se filho?

Ler antes de dormir ou de alguma maneira ritualizar um momento de leitura, com dia marcado, toda semana (lendo juntos um livro ou cada um lendo o seu) são maneiras que encontramos de criar e manter o interesse dos pequenos nos livros.

Para reflexão segue abaixo um texto muito interessante da Rosely Sayão sobre esse assunto (Caderno Equilíbrio da Folha de São Paulo de 6/11/2012).

Leitura nos olhos dos outros

Se ler é bom, por que nós, adultos, lemos tão pouco? No Brasil, a média por pessoa é de só um livro por ano

Recentemente foi comemorado o Dia Nacional do Livro. A data lembrou a importância da leitura na vida das crianças e de todos nós.

Esse é um bom motivo para refletirmos sobre a contribuição que o mundo adulto dá para que os mais novos tenham a chance de desenvolver o gosto pela leitura.

Primeiramente, é bom reconhecer que temos uma posição bastante moralista a esse respeito. Famílias e escolas repetem à exaustão que ler é uma coisa boa.

Desde os primeiros anos escolares até o último ano do ensino básico, a lista de livros obrigatórios é enorme.

Mas será que ler é mesmo bom? Se é, por que temos de repetir tanto essa recomendação e nem assim conseguimos resultados?

Talvez porque obrigação não combine com prazer e ler deveria ser uma questão de prazer. Muita gente se preocupa em desenvolver o hábito da leitura. Prova disso é que nossas crianças ficam com a agenda abarrotada de coisas para ler.

Entretanto, hábito é coisa bem diferente de vontade. Em relação à leitura, o que podemos fazer é plantar nos mais novos a vontade de ler, mostrando as emoções que essa experiência proporciona.

A segunda questão que temos é a seguinte: se ler é tão bom assim, por que é que nós, os adultos, lemos tão pouco? Pesquisas mostram que o índice de leitura espontânea no Brasil é de pouco mais de um livro por ano! Muito pouco, quase nada, na verdade.

Isso significa que, depois que o jovem sai da escola, ele simplesmente deixa de ler.

O que podemos fazer para que os jovens encontrem seu próprio caminho no mundo dos livros? Para que desenvolvam um gosto verdadeiro pela leitura?

Os pais podem, por exemplo, ler e contar histórias para os filhos pequenos. Muitas famílias já cultivam o momento da história, lendo para os filhos de até seis anos antes de a criança se recolher. A questão é que eles não sabem como seguir com esse ritual depois que a criança cresce.

A partir dos sete, oito anos, muitas famílias se rendem aos outros interesses que a criança passa a ter: programas de televisão, internet, videogames, jogos de computador etc.

Entretanto, ouvir e contar histórias para os filhos é um hábito que poderia seguir até o fim da infância como um grande incentivador não apenas do gosto pela leitura, mas também como um elemento intensificador das relações familiares.

Depois que a criança ganha fluidez, é hora de pedir para que ela também leia para os pais. Mostrar interesse pelos livros que ela escolhe, ouvir com atenção as histórias que a criança conta sobre sua própria vida e ler ao seu lado são excelentes maneiras de estimular a atividade leitora dos mais novos.

As bibliotecas também poderiam funcionar como locais de incentivo do gosto pela literatura. Para isso, precisariam ser fisicamente mais atraentes, com livros e atividades interessantes. As famílias poderiam incluir a ida à biblioteca como um programa familiar, não é verdade?

Ler sempre -mesmo que por pouco tempo-, comentar sobre os livros que estão lendo e incluir alguns exemplares na bagagem das férias são atitudes que os pais podem adotar para mostrar aos filhos, na prática, que ler é bom de verdade.

E as escolas? Essas têm um enorme potencial para desenvolver com seus alunos o interesse pela leitura. A maioria tem optado pelos caminhos mais fáceis e menos produtivos: responsabilizar as famílias por isso e obrigar os alunos a ler. Poucas são as escolas particulares que têm uma biblioteca atraente.

Aliás, aí está uma boa questão para os pais que procuram escolas para os filhos: visitar a biblioteca escolar e saber como ela é usada por alunos e professores.

E, por falar em professor, quantos deles demonstram aos alunos que têm paixão pela literatura?

Se ler é mesmo bom, vamos provar isso aos mais novos.

Você também pode ler o texto aqui.

Mãe, o bicho papão tá lá embaixo da minha cama

Aí o bicho papão fica com essa cara de “Ué?”

A história começou assim.

“ – Mãe, acho que o bicho papão tá embaixo da minha cama”.

– Não acredito, filho! Que bicho mais bagunceiro. Tá fazendo o que embaixo da cama? Será que ele não sabe que a gente dorme em cima do colchão? (risos o pequeno). Acho que ele tá maluco. E além do mais, embaixo da sua cama?Ele devia estar na cama dele a essa hora. Deixa a mãe dele saber disso.

– E o que a gente faz?

– Vamos lá conversar com ele e explicar isso.

(lá fomos nós)

– Bicho papão, você não sabia que a gente tem que dormir em cima da cama? E, olha, melhor você voltar pra sua casa que a sua mãe deve star super brava. Nós vamos lá na sala e você vai embora, tá?

-Isso mesmo, seu bicho papão.

(fomos pra sala)

– Mãe, e se ele voltar?

– Já sei, Vi, vamos colocar um bilhetinho na janela e aí ele não erra mais de quarto.”

Foi incrível. Além do que os bilhetes prosperaram lá em casa. (Mas falo de bilhetes noutro post)

Sempre tratamos os medos como coisas engraçadas aqui em casa. Acolhemos os medos de monstros e cia que chegam, mas tentamos coloca-los sob uma visão mais leve, do engano, da bagunça, da diversão. E funciona. Nunca precisamos entrar muito na questão. A gente também tenta saber de onde vem. Às vezes é de um desenho, de um livro, às vezes é do medo que um amigo tem. E aí tentamos contextualizar, explicar.

E essa brincadeira com monstros e medos resultou numa outra invenção do Vicente: armadilha pra monstros. Ele pega brinquedos, talheres de cozinhar (de madeira, bambu, plástico), cordas, baldes e vai montando uma teia que é um verdadeiro circuito pro monstro que tentar entrar em casa. A sala fica toda tomada. Tacos de golfe presos entre as almofadas do sofá, cordas ligando o sofá à mesa, à janela, à varanda.

 “Mãe, se o monstro entrar, ele vai tropeçar aqui, escorregar ali, correr por essa corda até a cadeira, a cadeira vai cair, ele vai girar pra cá, vai se pendurar ali, subir na mesa, escorregar e cair no balde de lama. E aí a mãe dele vai ficar muito brava quando ele chegar todo sujo assim”.

E vai dormir se divertindo com a armadilha e a bagunça que ficou na sala.

Segundo filho, quarto novo e brincadeira de astronauta

Logo, logo, minha segunda filha vai nascer. Isso quer dizer que entre as milhares de novidades que um irmão é pra uma criança de quase 4 anos, vamos preparar um quarto novo na casa. Mas sempre com a preocupação de fazê-lo perceber que ele é super importante aqui em casa, que o espaço dele na casa e nas nossas vidas está garantido, quisemos que o Vicente pudesse escolher como ele queria que o quarto dele fosse. E começamos a mudar.

Pra nossa total surpresa o pedido foi suuuuper fácil(!): a galáxia do Darth Vader e do Yoda. Putz… Como fazer isso?

A primeira que pensamos foi criar um painel de galáxia pra instalar na parede. Fizemos tudo junto, com ele participando. Na verdade ainda estamos fazendo. Ele e o papai pintaram sobre uma prancha de madeira um fundo preto com aquela tinta de quadro negro. Com um pouco de tinta branca, amarela e vermelha pra criar um efeito, eles respingaram gotinhas de tinta bem pequenas na parte de cima do painel. E no final, colocaram ainda aqueles adesivos que brilham no escuro. Ficou lindo e o Vi ainda ganhou uma lousa no quarto!

Aí, sem querer (ou acreditando que coincidências não existem) encontrei uma luminária muito legal de foguete com lâmpada LED. O foguete sai da base e toda noite ilumina o painel na parede pras estrelas ficarem bem brilhantes.

Entramos totalmente nessa onda de galáxia. E a mamãe criativa está há alguns dias montando foguetes, naves espaciais, marcianos e jedis de feltro. Tô adorando a brincadeira. Vou fazer um móbile pro teto e outros pra pendurar na cortina.

E hoje, inspiradíssima, olhei pra uma caixa de sapato e ‘enxerguei’ uma mochila de astronauta. Fizemos os três juntos e ficou muito legal.É essa aí na foto ao lado.

Olha só: encapamos a caixa com papel laminado azul. Depois, cobrimos com papel alumínio 2 rolinhos de papel higiênico, colamos na parte de baixo da caixa com fita dupla face (cortamos e dobramos as pontinhas pra poder colar). Cortamos umas tiras de papel vermelho e amarelo e prendemos dentro dos rolinhos de papel com fita dupla face. O Vicente criou os botões da mochila, inclusive tem um de pulos bem baixinhos pra usar de noite e não atrapalhar os vizinhos do andar de baixo (juro que foi ideia dele!). Aí furamos a parte de trás da caixa com parafuso – detalhe de mestre pra ficar bem caprichado e, claro, ideia do marido, que também passou a fita de cetim pelos furinhos pra criar a alça. Mochila pronta, vários vôos pelo espaço aqui em casa.

O Darth e o Ioda ainda não apareceram em lugar nenhum. Mas a felicidade do Vicente com a galáxia que a gente mesmo está construindo, um pouquinho todo dia, está incrível. Tenho certeza que será uma super memória pra gente.

Domingão taí, pra brincar de inventar!

 

Da mamaderia para o copo!!!

No último fim de semana eu e meu marido resolvemos fazer a transposição da mamadeira para o copo. Na verdade foi meio sem querer querendo!!!!

Tínhamos que comprar aquele protetor lateral de cama para cama de criança e resolvemos abordar o assunto da mamadeira. Gael toma bastante leite aqui em casa, principalmente quando está com sono. Ele agora já está com 2 anos e achamos que era um bom momento para fazer essa mudança. Claro que para mim foi um momento de angústia pois fiquei imaginando: será que ele iria aceitar??

Fizemos a mesa e conversamos com ele para escolher um copo novo para começar a tomar o leitinho nele, pois ele já está crescendo. Ele falou que tudo bem meio pensando: será que é verdade que fizeram essa proposta para mim????

Chegando na loja vimos tudo que precisávamos e fomos na seção dos copos. Meu filho mais velho também queria um copo novo já que e o outro ia ganhar um, falamos que tudo bem. Gael ficou olhando para os copos e papai conversando com ele e mostrando e explicando, até que finalmente ele escolheu. Gaizka escolheu um rapidinho do Mc Queen e o Gael um do Homem de Ferro.

Chegamos em casa e claro ele quis mamar, fizemos no copo novo, bebeu um pouquinho olhou para o copo, bebeu mais um pouco e em seguida desistiu.

Nossa!!! Pensei, e agora, já não podemos voltar atrás, conversamos de novo com ele e novamente falou que tudo bem.

À noite só estávamos eu e ele, na hora do mamar ele rejeitou o copo. Então eu ofereci o copo novo do Gaizka que era mais adequado pois tinha o bico mole e o que o Gael escolheu foi um bico duro. Ele aceitou, tomou tudo e eu fiquei aliviada. Nos outros dias ele bebia olhava para o copo e bebia mais um pouco, às vezes mamava tudo, às vezes não. Era o processo de adaptação mesmo.

No final acho que foi bem tranquila essa passagem, agora estou devendo um copo bem legal para o Gaizka, conversei com ele que aquele copo que ele escolheu era para criança da fase do Gael – o que é verdade, mas ele quer um novo, nada mais justo também!!!!

Próxima fase: transpor do berço para a caminha, mas tudo com calma!!! Uma coisa de cada vez!

Aprendendo a escutar

Aprender a escutar o filho… Como é difícil!!! A coisa mais comum é fazermos uma pergunta e antes que a criança abra a boca nós mesmos já respondemos… “Você acha que está certo deixar tudo espalhado assim? Claro que não! Já passou da hora de recolher! etc…”

É preciso reeducar-se a si mesmo para ter paciência e ouvir os pequenos. Isso é um dos conceitos presentes quando fazemos uma Mesa. Lógico que nem sempre vai sair como planejado, até por que, às vezes, a própria criança se recusa a falar… Mas o pouquinho que conseguimos a cada dia, a cada nova tentativa, já é uma grande vitória! Aos poucos vamos construindo uma relação de respeito e confiança com nossos filhos. O que mais se pode querer?

Agora, para descontrair, vejamos o que o Calvin tem a nos dizer sobre esse assunto. 😉

Chupeta: mais ideias de como fazer as crianças mudarem de fase

Já falamos algumas vezes aqui no blog nossas experiências com ‘tirar’ alguma coisa dos filhos. Percebemos que não tiramos nada. Ajudamos as crianças a transpor, a crescer, no nosso papel de educadores (mesmo sabendo que educar dói!).

Uma dessas transposições é a chupeta. Muitos pais e mães tem dificuldade com isso ou tem medo por não saber como fazer e o que vai ser.

A Joana criou uma maneira muito linda de fazer seu filho ‘mudar de fase’ e deixar a chupeta pra trás, a ideia de guardar a chupeta como se guarda um tesouro, literalmente num baú. Pensando que as crianças precisam de coisas concretas porque isso as ajuda a compreender os acontecimentos. Ela já contou como foi.

Encontrei a partir da dica de um pai um outro processo pra isso. Inspirados no livro, um grupo de pais fez uma festa do balde das chupetas. As crianças numa certa altura da festa entregaram suas chupetas num balde e a Fada da Chupeta trocou as chupetas descartadas por presentes. Achei genial ter um livro assim e a ideia da festa. Tudo contado no blog Na Pracinha, escrito por mamães mineiras.

Aproveitem a ideia!