Mesa

“Fazer a mesa” é uma das práticas que mais usamos no grupo. A mesa é momento e O local pra se ter conversas e fazer os combinados.

Sabe aquilo que a gente quer combinar com os filhos? “João, quando for a hora de sair do banho a mamãe vai avisar e você vai sair sem chorar, tá bom?” ou “Clarinha, hoje suas amigas vem aqui e você vai emprestar os brinquedos pra elas, tá?”, ou mil outras situações. Tem que ter atenção focada na conversa, escutar de verdade, dialogar. Não adianta nada falar andando, você dirigindo, ela fazendo a bonequinha dançar. Foco é uma das chaves deste segredo.
E lidamos com um milhão de situações que podemos fazer com que fiquem melhores.
A ideia é a seguinte: chama a criança pra sentar com você à mesa, um de frente pro outro e traz a questão (não quer sair do banho, não quer tomar banho, vai no shopping e vai ter que esperar a mãe comprar o sapato antes de ir brincar, vai no restaurante e fica na mesa esperando o papai e a mamãe terminarem a refeição, hora de ir pra escola não dá pra ficar vendo desenho, etc… tenho certeza de que vocês vão identificar suas questões).
Imaginemos:
“Filho, senta aqui. Vamos conversar. Como é que tem sido a nossa hora de você ir pra cama dormir?” E deixa a criança falar. Deixa, mesmo. Não é monólogo. Você sabe o que ela pensa sobre isso?
A criança: “eu não quero ir dormir e choro”(surpresa! Eles sabem o que acontece!!). “Pois é, e isso está muito ruim. Tem deixado a nossa casa triste e tem atrapalhado o papai e a mamãe porque você briga tanto pra dormir que a gente não consegue preparar as coisas pro dia seguinte. Estamos ficando muito cansados. Mas por que você chora?”. “Porque pode vir um monstrinho em baixo da cama, mãe, e eu fico com medo”. “Ah, entendi. E se a mamãe colocar uma luzinha do Mickey no seu quarto e colocar o seu leão junto com você na cama? Acho que o monstrinho não vem. Vamos combinar assim? A gente vai comprar a luzinha juntos e na hora de dormir você pode ficar tranquilo”.
Pode ser simples assim. Precisamos escutar.
E fecha a conversa, perguntando o que ele combinou com você (veja, ele que combinou, ele também tem responsabilidade sobre o acordo). “Filho, então como é que vai ser hoje à noite? (escuta) E você vai chorar pra dormir? (escuta) Precisa ter medo? (escuta). Fechado. Bate aqui!”
Pode não funcionar de primeira, mas vai tentando. Conversando sempre à mesa.
E se não cumprir o combinado? Perde o direito de alguma coisa que tenha a ver com a questão. Na mesa, no dia seguinte: “Filho, você não cumpriu o que combinou com a mamãe. Coloquei a luzinha e pus o leão na sua cama, junto com você. Mas você continuou brigando pra dormir. Então, se isso acontecer hoje de novo, você vai perder o direito de ver um desenhinho antes de dormir. E depois, se dormir bem, ganha o direito de novo”. E segue, perguntando se entendeu, o que vai acontecer, etc.
E, superimportante: também dê o retorno positivo na mesa. “Filho, que ótimo. Quero te dizer que você cumpriu direitinho o que você combinou com a mamãe. Foi dormir sem chorar e dormiu bem. E eu também fiz o que combinei com você. Coloquei a luzinha nova no quarto e o leão na cama. Isso é muito bom pra você, porque você tá aprendendo a ter responsabilidade e já tá fazendo coisas que combinam com crianças da sua idade.”
É isso. Superfácil. E o efeito é incrível. As grandes sabedorias disso são: falar a verdade e antecipar situações que você sabe que podem dar problema.  E a mesa ritualiza, legitima, simboliza a atenção que devemos dar praquela questão. A criança também compreende isso.
O que está embutido em “fazer a mesa”?
Milhares de valores preciosos pra adultos e crianças. Saber ouvir. Saber dialogar e compreender a força disso. Lidar com as questões e, não, deixa-las se acumularem até que o problema exploda. Construir confiança. Saber que os problemas podem ser tratados e que é possível resolver e retomar. Colocar todas as cartas na mesa, ou seja, dissecar situações sem medo. E tratar a criança com respeito e como uma pessoa de verdade.

4 respostas em “Mesa

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